18 de dez de 2012

Os barões de Pelotas

Extraido do blog http://pelotascultural.blogspot.com.br


"A Academia Pelotense de Letras dedica uma coluna (Diário da Manhã, 7-04-09) aos títulos de nobreza na época do Império. O autor da matéria é Mário Osório Magalhães, cadeira nº 4 da Academia, mas o texto não dá uma referência bibliográfica.
O baronato era o grau mais baixo na hierarquia aristocrática afim ao Império. Em sequência ascendente: Visconde, Conde, Marquês e Duque (acima dele, somente a família real).
Nesse regime absolutista, o Imperador concedia os títulos segundo a fortuna e o prestígio do agraciado. Assim como os grandes cafeicultores paulistas foram "barões do café", em Pelotas e região também houve empresários, políticos e fazendeiros que ficaram na História com a vulgar denominação de "barões do charque".
Segundo o artigo citado, dez charqueadores de Pelotas receberam o baronato, sendo que os dois primeiros (lista abaixo em ordem cronológica) também chegaram a Visconde. No site da UFPel, há mais detalhes sobre os aristocratas do charque, ali identificados em número de doze.

  • Domingos de Castro Antiqueira foi Barão e Visconde de Jaguari - títulos de 1829 e 1846. Financiou o exército imperial. Sua casa ainda está na Félix da Cunha com Sete de Setembro, atual SANEP e Conservatório (dir.). A Rua Visconde de Jaguari recorda seu título (paralela à Garibaldi).
  • João Simões Lopes foi Barão e Visconde da Graça - em 1872 e 1876. Apoiou o Império contra os farroupilhas. Morou onde hoje funciona a Casa da Criança São Francisco de Paula (Rua Uruguai 1651, esq. Quinze de Novembro, 1ª foto acima). A Avenida Visconde da Graça fica no bairro Simões Lopes.
  • José Antônio Moreira, Barão de Butuí - 1873. Provedor da Santa Casa e benfeitor social. Sua casa era o nº 2 da Praça Coronel Pedro Osório - o Casarão 2.
  • Francisco Antunes Gomes da Costa, Barão do Arroio Grande - 1884. Libertou seus escravos antes da Lei Áurea; foi deputado provincial e dono da Charqueada da Boa Vista (esq.).
  • Felisberto Inácio da Cunha, Barão de Correntes (nome de rua no bairro Areal) - 1884. Também abolicionista.
  • Leopoldo Antunes Maciel, Barão de São Luís - 1884. Outro abolicionista; morava na atual casa 6.
  • Aníbal Antunes Maciel, Barão dos Três Cerros - 1884. Primo do anterior; sua chácara era o atual Museu da Baronesa.
  • Antônio de Azevedo Machado, Barão de Azevedo Machado - 1885. Uma rua recorda seu título. Morava na esquina de Gonçalves Chaves com Sete de Setembro; a casa se estendia até a Rua Barroso, hoje está em ruínas (dir.).
  • Joaquim da Silva Tavares, Barão de Santa Tecla - 1886. Ganhou o título ao apoiar financeiramente a Guerra do Paraguai. Nome de rua central em Pelotas.
  • Joaquim José de Assumpção, Barão de Jarau - 1888. A casa de sua esposa ainda existe, na esquina de Quinze de Novembro com General Teles. O título é lembrado numa pequena rua do bairro Três Vendas.
  • Francisco Antunes Macielcharqueador, Barão de Cacequi, é um dos não mencionados no artigo da Academia (o outro é o Barão de Piratini, listado abaixo como não charqueador). Francisco Maciel foi deputado e ministro do Império. Era irmão do Barão de São Luís e genro do Barão de Butuí. Morava na atual casa 8 da Praça Osório, esquina com Rua Barão de Butuí.
Outros senhores ricos residentes em Pelotas que tiveram o título de Barão, sem ser charqueadores:

  • João Francisco Vieira Braga, Barão e Conde de Piratini - 1854 e 1885.
  • Manuel Alves da Conceição, Barão da Conceição (título dado pelo rei de Portugal). Empresário português; morava no prédio de 3 andares, esquina de Quinze e Voluntários. Uma rua em Pelotas recorda seu título.
  • Miguel Rodrigues Barcellos, Barão de Itapitocaí - 1888. Médico e benfeitor social, morava na rua que hoje leva seu nome.
  • José Luís Cardoso de Sales, Barão de Irapuã, é citado pela residência de sua filha Branca Sales, na Rua Lobo da Costa, defronte ao Teatro Guarani (esq.). Veja a nota no site da Secretaria Municipal de Turismo.
José Júlio de Albuquerque Barros, cearense (1841-1893), Barão de Sobral, foi governador do Rio Grande do Sul de 1883 a 1885. Uma rua em Pelotas leva o nome de seu filho, o pelotense José Júlio de Albuquerque Barros (1886-1952), prefeito nosso, nomeado pelo Estado Novo, mas que não foi barão.

*A Wikipédia tem uma lista de baronatos no Brasil, com 744 barões e 10 baronesas, sem identificar os relacionados com o charque."
Fonte: http://pelotascultural.blogspot.com.br/2009/04/os-baroes-do-charque.html

29 de nov de 2012

O sistema de esgotos sanitários de Pelotas

Define-se como sistema de esgotos sanitários o conjunto de obras e instalações destinadas a propiciar a coleta, condução, condicionamento e tratamento quando necessário.

Foto tampas de esgotos da Av. Bento Gonçalves, 2012
O sistema de esgotos sanitários da cidade de Pelotas foi projetado pelo engenheiro Alfredo Lisboa, do Rio de Janeiro, em 1910 e construído entre os anos de 1912 a 1916, uma segunda etapa foi construída de 1928 a 1930, e uma terceira etapa de 1950 a 1951. Em 1965 foram elaborados projetos de revisão e complementação das redes coletoras e elevatórias da Zona da Várzea e da Zona do Fragata, complementados em 1978 pelo projeto Baronesa.

As obras da rede de esgoto tiveram início em outubro de 1912, sob a orientação do engenheiro Antônio Lamy e fiscalização do engenheiro Octacílio Pereira, com algumas alterações no projeto do Engenheiro Civil Alfredo Lisboa. Foram feitas mudanças nas locações dos coletores a fim de harmonizar o projeto com os interesses da Companhia de Bondes que estava substituindo os bondes de tração animal por bondes elétricos.
A partir das obras de esgoto foi adotado uma medida geral para os proprietários de novos quarteirões, eles deveriam deixar uma faixa de dois a quatro metros de largura a frente de suas residências para a abertura das vielas (valetas) sanitárias.
Enormes foram as dificuldades encontradas para a construção da rede de esgotos, devido a grande quantidade de água no subsolo a esgotar-se que as bombas não davam vencimento, bem como os prejuízos no escoramento, que sofreu, por vezes, desmoronamento. Essa rede abrangia entre as ruas Manduca Rodrigues (atual Professor Araújo) e Almirante Barroso e entre a Zona da Luz (atual Rua Rafael Pinto Bandeira) e Conde de Porto Alegre.
Para o desenvolvimento das obras, foram criadas as oficinas e fábricas de cimento armado e betume, carpintaria e ferraria, também usou-se uma britadora e compressor locomóvel da Intendência, para fazer pedra britada. O transporte dos materiais para o serviço era feito com nove carroças e posteriormente foi utilizado um caminhão Saurer.
Em 14 de maio de 1913, foi reincidido o contrato com firma H. B. Reissner pela impossibilidade desta cumprir o contrato, ficando as obras por conta da Municipalidade, que reiniciou-as em 28 de junho. Trabalharam nas obras de esgoto os engenheiros Benjamin Gastal, José Avancini, Angelo Martinelli, Trajano Ribeiro, Felipe Osório e Hugo Veiga.

Primeiras ligações

Em 2 de maio de 1914, com as obras de esgoto bastante adiantadas foi publicado um edital de intimação para as primeiras ligações, na qual o proprietário dos imóveis situados dentro do perímetro urbano, nas ruas onde houvesse canalização de água e esgoto era obrigado a comparecer a Seção de Águas e Esgotos apresentando seu requerimento de instalação da rede de esgoto.
Caso não o fizesse dentro do prazo estipulado ficaria sujeito ao pagamento de taxas e teria de fazer a obra por conta própria. Os pelotenses acolheram a intimação com boa vontade. As obras de esgoto foram concluídas em 09 de abril de 1915, com 39.980 metros de rede.

Usina Elevatória de Esgotos

Em novembro de 1913 foi chamada a concorrência para apresentar as propostas para a construção da Usina Elevatória de Esgotos (Rua Almirante Tamandaré), após o julgamento optou-se pelo projeto dos Senhores Gastal, Vaz & Cia. As obras começaram em março de 1914 e teriam um prazo de cinco meses para conclusão. O edifício consistia de três partes, a casa do maquinista, a casa de bombas e as câmaras e ante-câmaras, para sua construção empregaram-se blocos de cimento fabricados na oficina da Intendência. A chegada das máquinas para a casa de bombas atrasou devido a guerra Européia. A montagem da Usina esteve a cargo dos engenheiros João Gabriel Ubatuba e Edmundo Gastal. A linha de recalque da Usina Elevatória até o São Gonçalo foi concluída em agosto de 1914.
A inauguração ocorreu no dia 20 de setembro de 1915 com a presença do Intendente Municipal Cypriano Côrrea Barcellos e dos conselheiros municipais. O chefe da casa de máquinas era o Sr. Marasciulo Cosmo.

Regulamento Sanitário

Em 18 de novembro de 1913, foi aprovado o ato 718 que dispunha sobre o Regulamento Sanitário e em 24 de Setembro de 1915, pelo ato 771, este Regulamento sofreu algumas modificações.
Com 144 artigos e 15 páginas, o regulamento tratava sobre a rede de esgotos, as canalizações, os aparelhos essenciais as latrinas, o caso dos hotéis, restaurantes, cafés e assemelhados e o abastecimento de água.
Segundo o Regulamento Sanitário, cada proprietário de imóvel teria de instalar um sanitário num cômodo de alvenaria, sem ligação com a cozinha ou com os dormitórios, deveria ter um meio de fechamento conveniente e uma abertura com ventilação direta para o exterior. O piso seria revestido de material liso e impermeável. Cada instalação sanitária deveria possuir uma Water-closets (privadas ou latrinas) e um mictório de material resistente, superfície lisa, polida, impermeável e cor clara, sem revestimento de alvenaria ou madeira, com caixa de lavagem de capacidade de 9 a 12 litros, com altura de 1,88 a 2,50 metros de altura acima do aparelho. Para as pias e lavatórios deveria haver uma caixa de escoamento de água com ralo.
Fonte:
Site do SANEP, Museu do Saneamento . Disponível em: http://www.pelotas.com.br/teste/sanep/esgoto/. Acesso em 28/11/2012.

Primeiro Sistema de Esgotos

Em 1899, havia na cidade de Pelotas, 4731 prédios com apenas 1700 casas com esgoto retirados por cabungos e as demais em buracos nos fundos dos quintais.As primeiras obras de Esgoto foram a criação de dois coletores gerais: o coletor Ocidental, a direita do arroio Santa Bárbara e o coletor oriental, ao Norte da Avenida Bento Gonçalves, a rede implantada ficava no perímetro central numa área de 237,45 hectares e capacidade total de 141,4 litros por segundo.

Construção Do Canalete (Julho 1928)

Projeto de Alfredo Lisboa

Em abril de 1900, foram feitos estudos pelo Engenheiro Civil, proveniente do Rio de Janeiro, Alfredo Lisboa, a pedido do Intendente Municipal Antero Victoriano Leivas, sobre um projeto definitivo de águas e esgotos para a Intendência Municipal. Esse projeto foi apresentado ao Intendente Francisco de Paula Gonçalves Moreira. As principais sugestões para o sistema de esgotos feitas pelo Engenheiro Alfredo Lisboa eram: a construção de um edifício de máquinas elevatórias de esgoto e a criação de coletores secundários e terciários ligados aos dois coletores gerais de esgoto já existentes. O sistema adotado na rede de esgotos seria o de separador absoluto, separando-se as águas pluviais dos despejos do esgoto cloacal.
Apesar da urgência na realização das obras elas foram retardadas por motivos de ordem econômica. Na tentativa de sanar o problema foram ampliados os serviços de coleta do material fecal.
Em 1904, os projetos de água e esgoto do Dr. Lisboa foram submetidos ao parecer da Secretaria do Estado de Obras Públicas, mas somente foram aprovados e devolvidos a Intendência Municipal em 1906. Em 31 de março de 1906, foi publicado no Diário Popular o edital de concorrência pública para a execução do projeto. O edital foi ainda publicado na Alemanha, Bélgica, França, Inglaterra, Rio de Janeiro, Montevidéu e Buenos Aires. A abertura das propostas foi em 10 de setembro de 1906, ganhando o engenheiro William Brown. Infelizmente o contratante não aceitou as condições da caução do empréstimo necessário para a realização das obras. Em 1910, o Dr. José Barbosa Gonçalves, Intendente Municipal, convidou o engenheiro Alfredo Lisboa para revisar seu projeto. Em junho de 1910, estando o engenheiro Lisboa em Montevidéu, fez novas alterações no seu projeto original. Um relatório atualizado com os devidos orçamentos foi apresentado ao Dr. José Barbosa Gonçalves. Neste novo projeto o engenheiro recalculou as declividades e as dimensões de todas as canalizações da rede de esgotos, aumentando suas dimensões. Optou também pelo uso do betume nas juntas das manilhas, material este que estava sendo usado em Santos e Porto Alegre em detrimento do cimento, mais oneroso para Intendência. Far-se-ia uma economia de 160 toneladas de cimento. Projetou um quadro de calçamento de paralelepípedos de granito em torno dos poços de alvenaria, para evitar o choque pelo trânsito de veículos pesados.
Com o acréscimo de novas quadras foi previsto um aumento na extensão das canalizações terciárias, pois os prédios já haviam sido aumentados de 5000 para 6000 na cidade de Pelotas.

Financiamento e aquisição dos materiais

Em 21 de outubro de 1910, a pedido da Intendência Municipal foi autorizado e concedidas garantias pelo Governo do Estado para a cidade de Pelotas contrair um empréstimo para as Obras de Saneamento da cidade.
A Intendência Municipal tomou propostas de firmas e banqueiros de Londres, Paris, Banco da Província do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Optou-se pelo Banco da Província do Rio Grande do Sul nas seguintes condições: Capital: 600.000 libras, com juro anual de 5% e amortização de 50 anos.
Resolvidas as questões financeiras, foi publicado em 24 de maio de 1911, um edital de concorrência para a compra de materiais para as obras e para a chamada da mão de obra. Chegaram 26 propostas. Ficando escolhidas a Compagnie Generale des Conduits d'Eaux de Liége (França), para o fornecimento dos materiais de ferro fundido, Bromberg & Cia Pelotas, para o fornecimento de 200 toneladas de chumbo, Lawson Son, de Rio Grande, para o fornecimento de 5000 barricas de cimento, Herm Stoltz, do Rio de Janeiro para o fornecimento de mais 5000 barricas de cimento, Souza & Barros de Porto Alegre, para o fornecimento de material cerâmico e tubos de ferro. Para a mão de obra dos serviços de água foi aceita a proposta do engenheiro Edward Simmonds, firmada em 07 de novembro de 1911. A mão de obra contratada para os serviços de esgoto foi da firma H. B. Reissner.


Fonte:
Site do SANEP, http://www.pelotas.rs.gov.br/sanep/museu-do-saneamento/esgoto/primeiro-sistema-de-esgoto/ acessado em 29/11/2012.