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9 de fev de 2016

O Jacaré do Fragata por Elisabete Porto de Oliveira

Em final de meados do século XX, aproximadamente, surgiu no Fragata o grupo carnavalesco conhecido como Jacaré do Fragata. O grupo era formado por pessoas da comunidade que se divertiam fantasiando-se e saindo pelas ruas do bairro e conseqüentemente pelas ruas no centro da cidade. No início os carros alegóricos eram movidos por tração animal, depois passou a ser puxados por tratores de propriedades do Sr. José de Souza Soares, o qual, cedeu para a realização do evento. O Jacaré do Fragata atraía o público por onde passava. Era um grupo bem organizado e muito animado, disposto a exibir seu carnaval com tanta exuberância e graça.

Desfile do grupo Jacaré do Fragata, década de 60 do século XX. Fonte: Projeto Pelotas Memória

Segundo Nelson Nobre (2.000, p. 08, 09) faziam parte desse grupo carnavalesco Camelinho, Jaguaré, Odilon Garcia, Gilda Nunes e sua irmã, também a rainha Zilá Matos e a sua corte. As informações sobre os componentes e composição musical do grupo Jacaré do Fragata foram limitadas, por falta de fontes disponíveis ou, desconhecidas até o presente momento. O trabalho realizado pelo grupo foi o resultado de um belo e empolgante desfile.

Desfile do grupo Jacaré pelas ruas do centro de Pelotas, anos 60 do século XX. Fonte: Projeto Pelotas Memória.

O Jacaré do Fragata foi o primeiro grupo burlesco que surgiu no bairro. Os componentes do grupo desfilavam pelas ruas ao som da música executada pelos mesmos. Conforme o artigo do Sr. Bendjouya, publicado no Jornal Diário Popular do dia 24 de Fevereiro de 2001, o qual descreve sobre as curiosidades do carnaval de rua de Pelotas, o mesmo relata que existiram alguns blocos que desfilavam sem nenhuma verba pela rua 15 de novembro, na época a rua era mão dupla, depois passou a ser mão única. Os desfiles aconteceram na por volta da década de 30 do século XX. Alguns anos mais tarde foram surgindo outros blocos carnavalescos pela cidade com denominações de animais, representação de bichos como a Girafa da Cerquinha; o Camelo; o Galo; o Papagaio; o Tigre; o Jacaré do Fragata, este, como comenta o Sr. Isaac, “tinha uma história muito interessante ligada à política pelotense”. O grupo Jacaré fazia suas apresentações, tanto no bairro Fragata como no centro da cidade. Alguns moradores ainda recordam de alguns trechos da cantiga do grupo Jacaré, que desfilava pelas ruas como veremos a seguir:

Quem é que disse, 
E não acreditava, 
Que saísse o Jacaré [...] 
Veio pra avenida lá do lago a pé, 
Mostrar pra cidade, 
Toda sua vaidade, 
Que é o Jacaré.*

O grupo burlesco Jacaré durou poucos anos, o mesmo acabou encerrando sua atividade carnavalesca e deixando muita saudade nas pessoas que o admirava. Com o tempo foram surgindo outros grupos burlescos; escolas de samba com belos desfiles como a escola de samba Imperadores da Guabiroba e Unidos do Fragata. 

Por falar em grupos carnavalescos, com o qual a população se divertia, vale a pena lembrar que no século XX, final da década 50 aproximadamente, a população do bairro freqüentava o cinema, era o Cine Fragata, o qual apresentava bons filmes, principalmente do cantor gaúcho Teixeirinha, o cinema ficava lotado como recorda alguns moradores, tinha que ter muita paciência, pois a fila era enorme. O Cine Fragata também apresentava shows, como o do cantor Cauby Peixoto, o qual atraía multidão para o local. O local também passou a ser utilizado pelas escolas que faziam apresentações de seus alunos e professores, eram usados também para outros fins. O Cine Fragata encerrou suas atividades aproximadamente, entre o final da década de 70 e inicio dos anos 80. O prédio foi reformado e hoje funciona no local um salão de baile (kazão).

 *Trechos fornecidos por algumas pessoas que recordaram uma parte da letra da canção do grupo, como a senhora Irai, o senhor Antonio Luis e dona Flora,. Maio de 2007.


Elisabete Porto de Oliveira em Viagem na memória do Fragata: Estudo sobre a história e cultura de um “Bairro Cidade”. Pelotas, 2007.


Página 8 do fascículo Pelotas Memória especial sobre os carnavais do passado (2000) de Nelson Nobre.


3 comentários:

  1. Eu lembro parte da letra:quem foi que disse que não acreditava
    Que saísse o jacaré
    É o orgulho das águas do fragata
    Arroio limpo só de água pé
    Vamos levar à cidade
    Toda ferocidade
    De um jacaré

    Assistia na década de 50 já que saí de Pelotas em 1960

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  2. Eu lembro parte da letra:quem foi que disse que não acreditava
    Que saísse o jacaré
    É o orgulho das águas do fragata
    Arroio limpo só de água pé
    Vamos levar à cidade
    Toda ferocidade
    De um jacaré

    Assistia na década de 50 já que saí de Pelotas em 1960

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